Um mini Carnaval, com direito a desfile pelas trilhas e pela alameda principal da Villa Santa Maria. Foi desta forma divertida e afetuosa que o Bloco do Zé Pereira, a família mais amada de São Bento do Sapucaí (SP), se despediu da visita que fez à vinícola. A presença física dos bonecões, ao vivo, encantou os visitantes do complexo enogastronômico neste domingo, 26 de junho, principalmente as crianças. Elas ficaram maravilhadas e interagiram com eles durante a evolução e os passeios.

Centenários, esses coloridos e divertidos bonecões passaram uma temporada na Villa, em exposição na entrada da cave. Eles carregam, além da simpatia e da doçura de suas imagens, décadas de interação com o público da cidade e com os turistas que já passaram o Carnaval na cidade localizada na Mantiqueira paulista. Quem já esteve em alguma folia carnavalesca do município turístico certamente já se divertiu com o bloco do Zé Pereira.

O desfile contou com a presença de percussionistas, que repicaram seus instrumentos para dar um clima carnavalesco ao evento aberto às crianças do bairro do Baú, área rural de São Bento do Sapucaí onde está localizada a vinícola. A ação foi viabilizada pela Secretaria Municipal de Turismo. A ideia foi ampliar as possibilidades de conhecimento sobre a história da família Zé Pereira, uma referência cultural do Município.

O evento neste domingo repetiu a tradição de correr atrás da família dos queridos bonecões. Amparados por seus pais, os pequenos entraram na brincadeira e acompanharam o clã Pereira com muita energia e entusiasmo.

 

VEJA FOTOS DO DESFILE

 

 

Entenda a tradição

A tradição de construir bonecos gigantes surgiu na Europa, provavelmente durante a Idade Média, conforme narra o site da Prefeitura da cidade. Começou com as religiões pagãs, na expressão de seus mitos, ficando muito tempo escondidos por medo da Inquisição. Chegaram ao Brasil com os portugueses, desfilando inicialmente em procissões e festividades religiosas na figura de bufões ou reproduzindo santos católicos.

 

Em São Bento do Sapucaí, a tradição dos bonecões começou alguns anos após a fundação da cidade, lá pelo início do século 20.

 

Surge então um boneco que toma conta das ruas de São Bento. Seu nome se relaciona ao fundador da cidade, Tenente “José Pereira Alves”, como também guarda relação com os batuques e diversão carnavalesca “Zé Pereira” em Portugal no século 19. Sua imagem se relaciona ao coronel, usa paletó, gravata, barba, bigode e sua tradicional cartola. Relaciona-se o nome de Zé Franco ao possível pioneiro, mas sabe-se que os irmãos Antônio e João Cortez não ficaram conhecidos apenas pela conquista ao topo da Pedra do Baú, mas também pela confecção dos bonecões.

Foram com eles que em 1940 o Zé Pereira se fortalece com a chegada de sua esposa Maria Pereira. Os bonecos mais antigos tinham suas cabeças moldadas em barro de olaria (que servia de molde para a face do Zé Pereira) e depois de bem seca começavam a pintura, onde usava-se tinta em pó com clara de ovo para dar brilho. Posteriormente, as cabeças começaram a ser feitas com jornais colados com grude feito de farinha de trigo até ficar com uma textura relativamente forte. A estrutura da cabeça era feita em madeira, em formato de cruz, que além de sustentar o jornal que vinha a ser aplicado, servia como norte para o nariz, olhos e orelhas.

 

O corpo do boneco era uma armação de jacá de bambu e suas mãos eram feitas em napa e enchidas com areia.

 

Em 1960, Bento Cortez, filho de Antônio Cortez, passa a confeccionar os bonecos e a responsabilidade dos mesmos passa a ser da Prefeitura Municipal. Em 1970, Bento aprende a arte de esculpir em isopor, substituindo assim as cabeças que antes eram feitas de jornal.

Hoje a família Zé Pereira é a maior manifestação cultural do Município, arrastando multidões de crianças e adultos pelas ruas da cidade nos dias que antecedem o Carnaval, além de datas comemorativas.

 

Patrimônio cultural e histórico da cidade, a família tem um museu que conta a sua história. Localizado no Mercado Municipal, ele foi inaugurado no dia 25 de janeiro de 2020.

 

A sócia-proprietária da Villa Santa Maria, Célia Pinotti, agradeceu a Secretaria Municipal de Cultura por viabilizar a exposição e o desfile, ressaltando que valorizar as expressões artísticas e culturais de São Bento do Sapucaí é uma tarefa que cabe não só aos agentes públicos, mas também à iniciativa privada. “Ficamos muito felizes com essa ação. Ver as crianças correndo ao redor da família do Zé Pereira foi divertido e emocionante. Essa tradição não pode se perder”, finalizou Célia Pinotti.

 

VEJA VÍDEOS DO DESFILE