A ProWine São Paulo 2025, uma das mais importantes feiras de vinhos e destilados do mundo, acabou de promover importante debate sobre um tema que tem mobilizado entidades e produtores brasileiros. Trata-se do fenômeno da “deriva”, decorrente do uso de herbicida hormonal comercializado livremente e muito utilizado para eliminar a erva daninha conhecida como buva.

As aplicações desse produto por outras culturas agrícolas estão provocando danos nos vinhedos. Produtores gaúchos têm relatado esse fenômeno e cobrado intervenção das autoridades. O assunto também tem ganhado força nos espaços de discussão das entidades do setor. Levado pelo vento por até 30 quilômetros, de acordo com estudos de pesquisadores e empresas do agro, o herbicida afeta não apenas a uva, mas também muitas culturas sensíveis da fruticultura, como oliveiras, macieiras, nogueiras e outros pomares.

 

O impacto nos parreirais pode ser negativo, com deformações, redução da produção, atrofiamento de ramos e até a morte das plantas.

 

Encerrada no último dia 2 de outubro, a ProWine São Paulo 2025 reuniu importadores, distribuidores, sommeliers, varejistas, produtores, gestores e profissionais do setor, vindos de todas as regiões do Brasil e do mundo.

O evento tem sido, ainda, um espaço para compartilhar conhecimentos, por meio de fóruns e palestras. Foi num destes encontros que a Villa Santa Maria, produtora dos Vinhos Brandina, esteve representada pela administradora Célia Carbonari. Ela é também presidente da Câmara Setorial da Viticultura, Vinhos e Derivados do Estado de São Paulo.

 

O encontro foi o pontapé inicial para uma coordenação mais estratégica de mobilização nacional sobre a “deriva”. Por meio da reunião, lideranças estaduais e suas representações passarão a dar mais visibilidade ao problema.

 

O objetivo é fomentar discussões junto às secretarias de agricultura dos estados, a partir dos setores técnicos responsáveis. A ideia inclui, também, levar o tema para análise do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O assunto tem sido abordado com regularidade no Rio Grande do Sul por meio de entidades da vitiviniculturs e Assembleia Legislativa. Tem sido, ainda, fonte de estudo em universidades, como na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), entre outras instâncias de poder e da pesquisa.

“Temos de manter o tema em evidência em nome da boa governança do agro e da excelência na produção dos vinhos”, observou Célia Carbonari.

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